A convicção de Levir e o momento do Galo

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A última coletiva do técnico Levir Culpi, do Atlético, assustou alguns. Mas não a mim. Foi a entrevista mais lúcida do treinador desde sua volta ao Galo, nos últimos meses de 2018.

Levir mostrou para quem acreditava que vivia uma fase mais acomodada na carreira que é um homem de convicções. E, como tal, acredita que o seu trabalho pode levar o Galo para o caminho das vitórias.

Ponto para o treinador, que precisava realmente se posicionar e mostrar porque tem uma carreira longa em um futebol canibal como o brasileiro. Levir sobreviveu a pechas como o “Levice” e o “Burro com Sorte”, que ele mesmo aderiu – e virou até título de livro.

Líder do Mineiro com uma equipe repleta de reservas e jovens, Levir é cobrado pela improdutividade dos seus titulares e também por sua convicção. Esta última característica levou o Galo de volta à Série A em 2006 e ao título da Copa do Brasil em 2014.

Levir sempre foi um homem de convicção. Seja nos títulos, seja nas escolhas, como a de ir para o Japão em 2007 quando o Galo parecia retomar um caminho certo. A certeza do que quer tirou Levir do caldeirão que virou o Atlético de 2007 a 2011.

Dito isso, é preciso ouvir o que Levir tem a falar. A diretoria alvinegra não vai demiti-lo tão cedo. E mais: é preciso dizer qual o tamanho da ambição do Galo em 2019. Falar em títulos grandes é enganar o torcedor.

O grupo em que o Atlético se meteu na Libertadores é traiçoeiro. Cerro Porteño e Nacional são times tradicionais e que conseguiram resultados normais contra o Galo. Mas, ser lanterna de um grupo de uma competição deste porte é humilhante para o ego de qualquer torcedor brasileiro.

De toda forma, se espera mais do time alvinegro. O ataque, desde a entrada de mais um volante, parou. A defesa ainda vacila. E a torcida pira com o lateral Patric e também com o Elias, poupando outros que também não rendem.

Levir Culpi insiste. Tem a convicção que vai dar certo. Que é preciso atravessar os arremessos de tomates e pedras da torcida e da crítica para vencer. E acredita que vai dar certo.

De fora, vejo um elenco desequilibrado, que tem dificuldade de conexão entre setores importantes e que batalha para dar certo, mas que não consegue. Falta ainda pontos ou peças para este time decolar.

Hoje, contra o América, às 16h, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro, Levir deve colocar Gaga e Terans no time titular nas vagas de Patric e Elias, respectivamente. O técnico cederia aos cornetas na veia, deixando um pouco a convicção de lado?

Vencer o jogo assim seria o início de uma trégua, mas que só virá com resultados e, principalmente, com conquistas. Olhando os elencos de outros times brasileiros e sul-americanos, acredito estão ainda distantes.

O Galo precisa ter convicção do que quer e externar isso para a torcida. Hoje, Levir está sozinho tentando passar um recado que muitos fingem não querer ouvir: o Galo ainda vive um momento de reconstrução. A pergunta que fica aqui é: Levir é o técnico ideal para isso?