Justiça interrompe barragem com 3x mais rejeitos que Brumadinho – Notícias

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A Justiça decidiu suspender as atividades da barragem do Doutor, no distrito de Antônio Andrade, em Ouro Preto (a 97 km de Belo Horizonte) até que a Vale, responsável pela estrutura ,adote uma série de medidas de segurança. Com isso, a mineradora deve apresentar à Justiça provas de que a estrutura do completo da Mina Timbopeba (que conta, ainda, com outras duas barragens) está estável. 


A decisão judicial foi favorável a uma ação proposta pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), motivada por informações enviadas pela empresa alemã Tüv Süd à Vale que davam conta de que, depois de uma revisão nos fatores de segurança da barragem do Doutor, no dia 13 de março, seriam necessárias medidas para evitar risco social e ambiental. Outro fator que motivou a ação do MPMG foi uma denúncia anônima de que a barragem encontrava-se em elevado processo de alteamento.


O teor da decisão da Justiça destaca que o receio de rompimento das barragens “não é infundado”, já que há “informações de consultoria técnica que especificamente foi realizada no local” e que “o perigo de dano é patente e se manifesta não só na degradação do meio ambiente, mas e sobretudo na perda de vidas humanas, caso haja rompimento na Barragem do Doutor fomentada pela Vale S.A., mormente em razão do fato de não haver sequer plano de evacuação da população local”.





Rejeitos


Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), a barragem do Doutor possui 75 metros de altura e volume de rejeitos no reservatório de 35,8 milhões de metros cúbicos, ou seja, três vezes mais que o total de rejeitos na barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que estourou no dia 25 de janeiro deste ano.  


As barragens de Timbopeba e Natividade, que também fazem parte do complexo minerário no distrito de Antônio Andrade, tem volume de rejeitos de 34 milhões e 2,3 milhões de metros cúbicos, respectivamente. 


De acordo com o Ministério Público, as estruturas se encontram próximas a núcleos urbanos e há moradores próximos à área da barragem. Ainda de acordo com o MPMG, na zona de autossalvamento, não há tempo suficiente para uma intervenção das autoridades competentes em situações de emergência, de forma que as pessoas tem que se salvar sozinhas em caso de tragédia, sendo que os avisos de alerta são da responsabilidade do empreendedor.